Pri Alves, foto de Gabi Butcher

Pri Alves, foto de Gabi Butcher

Complicado escrever sobre este grande acontecimento que tomou a internet brasileira há oito anos. Pois eu não estive exatamente lá, no embrião da coisa. Como a maioria, estive acompanhando, empolgada – mas eu participei de uma parte muito pequena do processo, nos bastidores. Eu já sabia, porém, que a coisa era importante e ia ser grande. Eu precisava fazer parte daquilo, de qualquer forma.

Quando a Lu Freitas tuitou algo como “Alguém gostaria de fazer o logo do Luluzinha Camp?” eu vesti a minha melhor minha cara de pau disponível e levantei a mão porque: 1. Sou fã meio anônima da Lu, 2. Queria fazer parte daquela mudança, 3. Eu já tinha ideia de como esse logo seria.

O logo seria o símbolo dos barcamps (cujo modelo gerou o BlogCamp), acrescido de um rosto feminino. O símbolo do BarCamp era um botão de RSS pegando fogo. E inserindo um rosto, parecia uma mulher com cabelos esvoaçantes, ou em chamas. O fogo ficou por conta do degradê de preto, vermelho e amarelo.

Logo do BarCamp

 

Logo Original do Luluzinha Camp

Logo Original do Luluzinha Camp

E foi assim que eu entrei nessa para nunca mais sair.

Os blogcamps (e outros camps) estavam na moda e sim, eram muito legais. Eu ia em um ou outro. Mas era como pisar em terreno desconhecido, puxar um papo tímido com pouca gente. E sim, era um clube do Bolinha. Como a Lu suspeitava, tinha muita mulher precisando de voz nesses eventos. Se havia muito blog feminino por aí, por que só apareciam umas gatas pingadas nos eventos? E cada vez menos, pois os eventos não pareciam acolhedores, falando apenas de monetização e números. Conversando com a Srta. Bia, fiquei então sabendo que a mulherada estava muito a fim de firmar parcerias, discutir caminhos e conhecer a gata por trás daquele blog que amávamos.

Uma das regras do Luluzinha Camp desde o começo é: homem não entra! Não havia motivo para isso, já que queríamos saber quem eram aquelas blogueiras. O evento era nosso. E segundo a Srta. Bia, quem acabou sugerindo este nome foi um homem (não me lembro) – Update: Quem sugeriu o nome, que venceu de goleada na enquete, foi o Jonny Ken, Lúcia acaba de me contar – mas acho que até ele sabia que havia a necessidade de se criar um espaço feminino no meio de tantos eventos que falavam mais aos meninos.

Srta. Bia diz: “Aí, quando rolou o primeiro encontro, a coisa estourou. Foi simples, mas ao mesmo tempo foi um sucesso porque a mulherada se adorou. E esse sentimento, essa coisa de você encontrar velhas amigas é o que para mim sempre permeou o LLC. A lista de emails que tinha sido montada para organizar quem ia levar comida e bebida acabou virando um mega hub de conversas.”

Verdade. Os primeiros eventos, que bateram com a febre do Twitter, tinham uma cobertura nossa e os meninos, dessa vez de fora, ficavam loucos. Alguns amigos falavam que iam invadir o evento; ficavam curiosíssimos com os nossos workshops que eram registrados em tuítes e fotos.

E nós, mulheres, nos sentimos totalmente à vontade com nossas conversas. Qualquer assunto era bem-vindo, inclusive os off-blogagem. Montamos palestras, cursos. Levamos informação, aprendizado e até emprego às novas velhas parceiras. Apesar de este início ser totalmente voltado à blogagem e aos blogs das mulheres, o grupo acolheu mulheres não-blogueiras e com os mais diversos currículos – profissionais e de vida.

Com isso, o grupo foi mudando o foco da blogagem para o feminismo – para a troca de experiências sob o ponto de vista feminino. Então, na nossa massiva lista de e-mail, falamos de maternidade, relação com o próprio corpo, mercado de trabalho, políticas públicas para as mulheres, objetivos, finanças, startups, aplicativos de celular e uma infinidade de assuntos que nos ajudam e nos fazem crescer.

A Srta. Bia inclusive me contou que as Blogueiras Feministas são as filhas políticas do Luluzinha Camp, e o trabalho como moderadora do grupo a ajudou a encarar a tarefa de ser coordenadora do grupo. O LLC a ensinou a ser feminista. E a mim também. E a centenas outras. E continuamos aprendendo.

E estou aqui numa missão que é voltar às origens. Afinal, se somos tantas vozes, por onde andamos? Então, estamos aqui, dispostas a voltar às nossas blogagens de todos os dias. Mas com a experiência que oito anos que o grupo nos proporcionou.

Somente posso agradecer ao LLC, pelo meu crescimento diário fazendo parte do grupo, e a você, que nos lê e nos compartilha. Ser mulher hoje é melhor por causa do Luluzinha Camp.

Juliana Garcia Sales – garciasales.com.br

— Revisão: Suzana Elvas