Sophomore Sucess, c.a.muller, CC-BY-NC-SA

Estamos quase em fevereiro. E aí, você tem colocado em prática as resoluções de Ano Novo? Se já desanimou ou até esqueceu-se delas, não se culpe: com tanta coisa urgente na agenda, a tendência é mesmo adiar objetivos que exijam sacrifício e esforço. “Donde vou tirar mais energia se chego do trabalho com a língua de fora?!”

Responde o senso comum: “Ah, sem esforço e sacrifício a gente não chega a lugar algum!”

Mas será que tem de ser sofrido assim ou essa é uma crença a ser questionada? Porque o que nos leva a algum lugar são nossas atitudes, nossa ação, e não exatamente o sacrifício e o esforço. Não tem gente que deu duro, se esforçou, sacrificou-se, e não saiu do lugar? Sei que soa contraditório, mas esforço excessivo não é garantia de realização.

“Ah, mas eu conheço gente que trabalhou como uma mula, matou um leão por dia, e chegou no topo do Everest!”

Certo, eu também conheço gente assim. Mas o interessante é que pra essas pessoas o sacrifício nem pareceu tão grande. Aliás, nem pareceu sacrifício trabalhar 12 horas por dia, largar o cigarro, emagrecer, economizar, porque elas estavam motivadas pelo querer. Mas não um querer sinônimo de desejo, solto no dia, no mês, na vida, e cheio de senões.

Um querer que vem lá de dentro, quase uma sede. Quando o querer é assim, mente e coração
se alinham, pensamento e emoção fazem um armistício, e a gente passa a curtir o processo – é capaz de virar a noite trabalhando e ainda achar isso divertido e energizante!

Esse estado de espírito traz pra vida algo essencialíssimo: sentido. Não só de direção (“é isto que eu quero!”), mas de significado (“quero isto porque meu olho brilha!”) – e a combinação de direção e significado faz a pessoa acordar feliz e cantar no chuveiro em plena manhã de segunda.

Segredinhos pra querer

É a sua cara? – Pra ser divertido, energizante, dar direção e significado, o objetivo (meta, plano, resolução) tem que ter a sua cara, e pra ter a sua cara é fundamental que você goste dele. Do contrário, tudo o que você fizer pra chegar lá terá a cara pesada da obrigação e bye bye tesão de agir.

Ajuste o foco – Uma coisa é eu decidir emagrecer pra me sentir bem, outra é emagrecer pros zôtros me acharem atraente. Fazer as coisas pautada pela torcida geralmente nos leva a seguir o caminho do senso comum, que diz que pra perder peso é preciso suar na academia, seguir uma dieta rígida, cobrar-se resultados rápidos e passar vontade de tudo… Mas quando decide emagrecer pra se sentir bem é outra história: você terá prazer em escolher pratos mais saudáveis e uma atividade física que seja a sua cara – quem sabe watsu, caminhadas no parque ou biodança. Talvez até a academia, mas aí por opção – o que é libertador!

O que você sente ao ver? – Feche os olhos e projete num telão imaginário um filme 3D da sua vitória. Veja-se magra ou dirigindo o carro novo ou morando na casa dos seus sonhos. Abriu um sorrisão lá de dentro? Se a sensação foi estranha, talvez seja preciso trabalhar crenças limitantes como “não vou conseguir”, “não mereço”, “não sou capaz”. Ou talvez o objetivo não seja tão importante como você imaginou.

O que é importante pra mim? – É fundamental levar isso em conta ao estabelecer um objetivo. Se você não sabe a resposta, comece perguntando se seu objetivo tem a ver com as coisas em que você acredita, seus valores, seus talentos, com quem você quer ser daqui há 10 ou 20 anos. É pra lá que você está caminhando? Se sim, então vai ser muito fácil e estimulante chegar – mesmo que dê trabalho – porque durante o trajeto você sentirá constantemente o sabor da alegria, da criatividade, da motivação e do poder pessoal, e estará atenta às oportunidades. Como se diz, nessa hora “o universo conspira a favor”.

foto: c.a.muller, CC-BY-NC-SA