Luluzinhas pelo fim da violência contra a mulher

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Chamada geral! Entre 25 de novembro e 10 de dezembro estamos convocando para a luta pelo fim da violência contra as mulheres. Vamos fazer posts, twittar, fotografar e lembrar que mulheres são seres humanos e merecem respeito – aliás, todo mundo merece…

Vamos ao que interessa. Temos quatro datas-chave nestes dezesseis dias de ativismo. O slogan do movimento está no título: uma vida sem violência é um direito das mulheres.

Começaremos dia 25 de novembro, dia da não-violência contra as mulheres, dedicado às irmãs Mirabal, três militantes que foram assassinadas durante a ditadura de Trujillo, também conhecidas com o “As Borboletas”. Para conhecer melhor esta história vale ler o livro No Tempo das Borboletas, assistir o filme homônimo com Salma Hayek. Quem quiser saber mais sobre a ditadura de Trujillo na República Dominicada, vá de A Festa do Bode, de Mario Vargas Llosa.

No dia 1º de dezembro, dia mundial de combate a AIDS, é hora de discutir o HIV entre nós. Fato: o maior número de mulheres contaminadas vivem relações monogâmicas, ou seja, contraem o vírus de seus maridos/companheiros.

Terceiro passo: dia 6 de dezembro é dia da Campanha do Laço Branco – homens contra a violência contra as mulheres. A data surgiu quando um homem em Montreal matou só as mulheres, responsabilizando-as pelos fracassos dos homens. A partir disso um grupo de homens canadenses decidiu que não praticariam violência e não se calariam em situações de violência contra a mulher.

Fecharemos nosso ciclo no dia 10 de dezembro, Dia Mundial dos Direitos Humanos. Afinal, qualquer tipo de violência é uma questão de direitos humanos.

Idéias que tivemos no LuluzinhaCampSP

Ontem a gente conversou um tanto sobre cada um dos pontos. Claro que estes 16 dias são só uma marca. É importante falar da violência contra a mulher, dos casos que a gente conhece, mas a atenção tem que ser cotidiana. Afinal, é uma questão de toda a sociedade, como provou a história da Geisy na Unitaleban.

A Gabi Bianco levantou um ponto importante: o quanto a gente ganha menos que os homens. Na pesquisa do PNUD, o Brasil segue no ranking dos países com baixo IDH o que mostra que não temos os mesmos direitos. Se a mulher ainda por cima for negra, prepare-se para ser mais discriminada… não, o mundo não é bonito como deveria…

A Marcia Bianco levantou outros tipos de violência, como a psicológica, mas principalmente a estética. Somos bombardeadas diariamente para sermos loiras, magras e de pele lisa, quando somos em geral corpão violão, cabelo cacheado e morenas… O 190 não vai te dar socorro!

Alguém na roda levantou a questão das mulheres machistas. As mulheres agem assim porque são ensinadas assim, explicou a Letícia. “Como se dizia durante a ditadura, chega uma hora que já não é preciso mandar o soldado, basta pendurar a farda”, lembrou. Achou exagero? Machismo é sim, uma forma de ditadura. Claro que dói mais quando as mulheres assumem o papel de opressor.

Aline Costa (irmã da Cintia Costa) nos contou a vida das professoras, o quanto é difícil conseguirem os “cargos” melhores e como são destinadas ao ensino infantil. E contou um caso que dá desgosto das escolas brasileiras. Numa seleção para uma escola internacional ela foi pergunta se ensinava crianças porque queria… Lá fora as mulheres não são cuidadoras por pré-definição.

Este depoimento levantou a questão das mulheres nas corporações. A gente conta nos dedos as gerentes, diretoras e presidentes de grandes corporações.

Outra pergunta que flutuou sem resposta na nossa roda: a gente só existe em função dos homens? Tudo é para satisfazê-los? Mulheres têm ou não desejo, afinal? Alguém aí já parou para pensar nisso?

A Marcia Bianco lembrou da Biblia – e de como tanto Antigo como Novo Testamentos têm pouca diferenciação entre homens e mulheres. E lembramos que estas coisas começam a aparecer nas cartas dos apóstolos. Dá um post polêmico para quem quiser escrever.

Para pensar um pouco sobre a questão, que tal rever O Sorriso de Monalisa e pensar o que a gente quer como mulher? Gabi Bianco levantou outro ponto bacana: temos que nos patrulhar para respeitar quem quer ser dona de casa, afinal, se isso é escolha, não tem problema algum.

Claro que a gente não pode deixar de lado a situação mais que complexa da violência sexual. O silêncio que ronda os estupros, o estigma que esta mulher, se assumir o fato publicamente, carregará. Vale lembrar que nosso Código Penal até 2005 dizia que o estuprador que casasse com a vítima tinha indulto. E que as feministas tiveram que lutar muito para convencer os senhores deputados e senadores do contrário…

A mulher está emancipada da cintura para baixo.

Letícia Massula