Ada lovelace day: ou parem a violência de gênero dentro da área tecnológica

Revisão textual e contribuições da programadora web: Lanika Rigues

O “Dia de Ada Lovelace” foi criado em 2009 por Suw Charman-Anderson, como resultado do apagamento da presença feminina que algumas empresas insistiam e insistem em fazer nos eventos de tecnologia, sempre optando por palestrantes homens – apesar do destaque de mulheres em diversas áreas. A data escolhida foi em outubro, para melhor acomodar as atividades de todos os participantes do grupo, mas o aniversário real de Ada Lovelace é em dezembro. Em 2015 ela fará 200 anos de nascimento.

Tratamos o preconceito como algo do passado, mas ele ainda está presente no cotidiano de forma violenta, chegando ao ponto de uma pessoa se sentir ameaçada fisicamente e não se sentir segura ao se locomover pelo simples fato de ser mulher. O apagamento também é uma forma de violência – o número de mulheres na área de tecnologia já foi maior e diminuiu. Hoje, algumas organizações realizam eventos pelo mundo em homenagem à primeira programadora e a outras mulheres de destaque, com palestras dadas por mulheres que causaram impacto nas áreas de ciência, matemática e tecnologia. Ada, mesmo reconhecida internacionalmente pelo caráter único do seu trabalho, ainda hoje possui alguns detradores que colocam em dúvida a sua autoria.

 Participe:

(lista Luluzinha Camp)   https://groups.google.com/forum/#!forum/luluzinhacamp

(dados abertos e aplicativos do governo – tecnologia e gênero)  http://edemocracia.camara.gov.br/web/hackathon-de-genero-e-cidadania/forum#.VDZVePldV9t

Se você acha esta situação ruim, descobertas fundamentais realizadas por mulheres negras que participam da academia são ainda mais colocadas em xeque – elas precisam constantemente provar a sua capacidade – e isso vem de muitos anos antes da política de cotas sequer ter a possibilidade de implementação ou discussão. Muitas cientistas nunca foram reconhecidas, e isso ajudou a disseminar a ideia de que mulheres não são aptas para os números: Lisa Meitner fez cálculos que permitiram a descoberta da fusão nuclear; Rosalin Franklin fez a fotografia que permitiu revelar a estrutura da dupla hélice do DNA; Nettie Stevens descobriu os cromossomos X e Y, que determinam o sexo das pessoas. Por fim Hedy Lamarr, que durante a Segunda Guerra Mundial criou um aparelho de comunicação capaz de despistar radares nazistas – esta tecnologia serviu de base para criar o celular. Nos casos em que a equipe ganhou o prêmio Nobel, as mulheres muitas vezes não foram citadas, sequer como co-autoras!

Lady Ada, por Lisa Congdon. Fonte: http://www.vlsci.org.au/page/publications

Se falamos em pouco progresso, em 2014 houve o #gamergate: as ofensas não eram críticas somente à capacidade, mas apenas e tão somente devido ao fato de ser mulher. Em uma indústria que se diz de ponta, seria de se esperar que a maneira de tratar a mulher devesse ser também avançada, mas o que vimos foi a comunidade gamer ignorar, minimizar e distorcer um acontecimento e ainda espalhar fotos de uma desenvolvedora de jogos nua. Lembrando que o machismo pode ser reproduzido por outros gêneros e não se restringe apenas ao masculino.

Na contramão disso houve o engajamento e a declaração da artista Emma Watson, que lançou a campanha He for She. Nele, ela reafirma que o protagonismo, discussão e liderança no feminismo são das mulheres, sempre; o programa incentiva a parceria, apoio e reflexão dos homens na luta pela igualdade dos gêneros na prática e diz que a presença masculina é mais que bem-vinda.

Filha do poeta Lord Byron e Annabella Milbanke – chamada pelo esposo carinhosamente de Princesa dos Paralelogramos – Augusta Ada Byron foi fruto de um casamento que durou pouco e teve pouca convivência paterna. Tinha saúde delicada, e teve como tutora na área a matemática Mary Sommerville (que traduziu para o inglês Mécanique Céleste de Laplace).

Em 1833 aos 18 anos Ada Byron foi apresentada a Charles Babbage, que era amigo de Mrs Somerville, em uma festa na corte. Fascinada com a máquina analítica após visitar o laboratório de Babbage, acompanhou suas pesquisas e mais tarde se dedicou a traduzir um artigo de Luigi Menabrea “De sur la máquina analytique”. As notas que a “Encantadora dos Números” escreveu tinham o triplo do tamanho do que traduzira, mais longas do que o texto em si. A tradução a levou a escrever o primeiro algoritmo para calcular números de Bernoulli.

Após o casamento, Ada tornou-se Lady Augusta Ada Byron King, Condessa de Lovelace, mãe de três filhos. Era uma mulher à frente do seu tempo, que flertou abertamente e protagonizou vários escândalos – por isso parte da sua correspondência foi perdida, destruída pelo marido. A continuidade de seu trabalho científico foi prejudicada pela falta de interlocutores após a doença e falência de Babbage. Parte ainda se prejudicou pelo seu hábito de fazer apostas em cavalos e a fragilidade do seu estado de saúde se acentuou quando substituiu suas refeições por vinho e ópio.

Hoje conhecida como Ada Lovelace, Lady Ada é considerada a primeira programadora da história pois escreveu o que se considera o primeiro algoritmo a ser interpretado por uma máquina. Segundo historiadores, a maior contribuição de Lady Ada à programação foi vislumbrar que o computador mecânico poderia fazer outras operações além de simplesmente fazer contas com números – operações complexas relacionadas à composição musical, por exemplo.

Notas de Lovelace foram publicadas pela primeira vez no The Ladies’ Diary, e no livro de Richard Taylor Memoirs Científica Volume 3 em 1843 como AAL. O algoritmo teria funcionado se a máquina de Babbage tivesse realmente sido construída, mas o projeto só foi realmente efetivado em 2002 pelo Museu da História do Computador, em Londres.

 

Participe mais:

http://luluzinhacamp.com/sobre/

http://mulheresnacomputacao.com/

https://www.facebook.com/GiTSaoPaulo/

https://www.facebook.com/onumulheresbrasil

https://www.facebook.com/femininolivre/

https://pt-br.facebook.com/nucleogetec

https://www.facebook.com/groups/533067570082981/

 https://www.facebook.com/groups/533067570082981/

(traduza) http://en.wikipedia.org/wiki/Wikipedia:Meetup/Ada_Lovelace_Edit-a-thon_2013_-_Brown

 

Biografias e livros :

A Passion for Science: Stories of Discovery and Invention

http://findingada.com/book/ada-lovelace-victorian-computing-visionary/

Negras e Negros Inventores, Cientistas e Pioneiros – Contribuições para o desenvolvimento da humanidade http://leiaoestatutodaigualdaderacial.blogspot.com.br/2013/01/negras-e-negros-inventores-cientistas-e.html

Essinger, James: (2013) A Female Genius: How Ada Lovelace Started the Computer Age.

Ada´s Algorithm: How Lord Byron’s Daughter Ada Lovelace Launched the Digital Age (lançamento out/2014) http://www.theatlantic.com/technology/archive/2014/09/before-computers-people-programmed-looms/380163/

Walter Isaacson (mesmo autor da biografia do Steve Jobs) : lançamento out/2014 THE INNOVATORS How a Group of Hackers, Geniuses, and Geeks Created the Digital Revolution. New York Times (em ingles) http://www.nytimes.com/2014/10/09/arts/walter-isaacsons-the-innovators-studies-computer-wizards.html

J Baum, The Calculating Passion of Ada Bryon (Hamden, 1986).

M Elwin, Lord Byron’s family : Annabelle, Ada, and Augusta, 1816-1824 (London, 1975).

D L Moore, Ada, Countess of Lovelace: Byron’s Legitimate Daughter (London, 1977).

D K Stein, Ada : A Life and a Legacy (Cambridge Mass., 1985).

B A Toole, Ada, the enchantress of numbers : a selection from the letters of Lord Byron’s daughter and her description of the first computer (Mill Valley, Calif., 1992).

 

 Saiba ainda mais:

https://www.adafruit.com/about

16 outros grandes nomes femininos na computação https://www.sdsc.edu/ScienceWomen/

Vídeos sobre Ada Lovelace http://mulheresnacomputacao.com/2013/10/15/ada-lovelace-day-2013/

Biografia de Lovelace em quadrinhos http://sydneypadua.com/2dgoggles/lovelace-the-origin-2/

presença em peso de mulheres em evento de tecnologia – qual a diferença? http://www.ebc.com.br/tecnologia/galeria/imagens/2012/10/latinoware-2012-se-destaca-pela-grande-presenca-de-mulheres

https://www.facebook.com/GarotasCPBr

http://mulheresnatecnologia.org/evento

http://www.hackagenda.com.br/

http://ada.vc/

 

(patrocine)

 https://www.indiegogo.com/projects/ada-lovelace-day-live-2014

http://observador.pt/2014/08/21/bonecas-com-profissoes-ligadas-querem-inspirar-criancas/

http://rodadahacker.com/quanto-custa-uma-rodada-hacker-uma-conta-de-papel-de-pao/

 

Doodle de 2012 em homenagem ao primeiro dos programadores da história : 197º aniversário de Ada Lovelace

fonte: google http://www.google.com/doodles/ada-lovelaces-197th-birthday

 

Referências:

http://findingada.com/blog/2009/01/05/ada-lovelace-day/

http://www.newscientist.com/blogs/shortsharpscience/2009/03/ada-lovelace-day.html

http://www.geledes.org.br/racismo-e-preconceitos/casos-de-preconceito/

http://www-history.mcs.st-and.ac.uk/Biographies/Lovelace.html

http://www.britannica.com/eb/article-9049130/Ada-King-countess-of-Lovelace

http://blogs.estadao.com.br/link/as-pioneiras-que-a-tecnologia-esqueceu/

http://www.miniweb.com.br/atualidade/tecnologia/artigos/ada_%20byron.html

http://super.abril.com.br/blogs/superlistas/7-coisas-que-voce-deveria-saber-sobre-ada-lovelace/

http://planetasustentavel.abril.com.br/blog/paisagem-fabricada/2012/10/22/ada-lovelace-a-primeira-programadora/

http://jconline.ne10.uol.com.br/canal/economia/internacional/noticia/2014/10/12/evolucao-da-tecnologia-nao-seria-a-mesma-sem-as-mulheres-150665.php

http://operahouse.com.br/blog.php?u=ada-lovelace-a-primeira-programadora-da-historia

http://blogs.estadao.com.br/link/quem-e-ada-lovelace-e-por-que-ela-tem-um-dia/

http://www.dirigida.com.br/news/pt_br/ada_lovelace_a_primeira_programadora_do_mundo_r7/redirect_10678055.html

http://br4d4.wordpress.com/tag/ada-lovelace/

http://www.softwarepublico.gov.br/O_que_e_o_SPB

http://thinkolga.com/2014/04/11/as-seguidoras-de-ada-lovelace/

http://jurassicdos.blogspot.com.br/2012/10/ada-lovelace-day.html

(discussão sobre programador/programadora)

http://vidadeprogramador.com.br/2011/09/03/desde-quando-mulher-sabe-programar/

http://www.gazetadopovo.com.br/blogs/mulherio/ada-lovelace-a-primeira-programadora-da-historia-4/

Camila Achuti no Papo Acima da Média

Camila Achutti no Google Women in Tech

Camila palestrando no Google Women in Tech, que aconteceu em março de 2014

A Camila Achutti, do Mulheres na Computação, entrou no horizonte LuluzinhaCamp quando fui dar uma força pra RodAdaHacker. Foi amor à primeira vista. Grandona, ativa, ativista, a Camila, ainda por cima, é inteligente e linda!

Depois disso, claro, passei a seguir a moça por aí. Fui testemunha da sua ida para o Google, as rodas do Technovation Challenge e ela ser capa da InfoExame em março, numa matéria em que as mulheres eram o destaque.

Claro que quem conhece a Camila não se surpreende. A moça é fera mesmo e está só começando a voar. Daí que este post é pra falar um pouco de tecnologia, inovação e vontade de mudar o mundo, pelos olhos da Camila.

Daí outro dia, vi um convite dela para o hangout Papo Acima da Média, com universitários. E assisti. Foi daí que nasceu esse post, porque ouvir a Camila falar é um prazer. E ela fala sem medo de algoritmo, como fazer tecnologia e como a tecnologia é muito parecida com a vida, isso se aplica pra todo mundo – basta você ter um tiquinho de imaginação e ver o mundo de forma mais aberta.

Abaixo, as frases da Camila que me tocaram… (logo depois está o vídeo com o hangout).

Tem que testar e errar, não tem como analisar e ficar só com isso.

Eu quero mudar o Brasil. Fora eu me sinto mais uma, aqui eu me sinto catalisadora de mudanças.

A vida profissional tem que estar alinhada com o pessoal e os ideais.

Falta, no Brasil, que a academia e o mercado conversem mais.

Não acho que a faculdade vale pelas aulas. Interessa o cenário. Acho a iniciação científica uma experiência essencial.

Eu tenho como regra me expor o máximo que posso, raramente digo não para qualquer coisa logo de cara. Tudo o que me aconteceu foi por conta disso.

Façam esporte.

Se jogue.

Nos EUA – as pessoas fazem. Com tecnologia tem que testar, tem que ir e testar, nada é bem sucedido se não sair de casa e testar. Essa é a grande coisa da tecnologia de alto impacto. Não somos uma lavanderia, neste negócio é mais fácil não falhar, tem modelo pronto.

É preciso valorizar a falha, aprende3r com o erro – e conte para os outros para eles não cometerem o mesmo erro. A chance de inovadores errarem é maior.

Aqui no Brasil, as pessoas não contam as suas ideias com medo de serem roubadas. Nos EUA, já saem perguntando: como posso ajudar?

Está na faculdade? Estude muito. Tem muita linguagem, muito tudo, tem que se expor ao máximo. Claro que você não vai conhecer tudo. Para se destacar, tem que saber T – estuda muito algo específico, que você é boa, para ser conhecida, mas sabe as outras áreas.

Nunca parar de estudar. Se ficar parado é mais difícil – é preciso ler tudo: feed, twitter, Facebook.

Quais são as mulheres que inspiram a Camila? Ada Lovelace, paixão pela matemática. Valeria Aurora. Maria Gaetana, filósofa, linguista, matemática, doodle de hoje.

A maior vantagem de trabalhar como eu, em home office, é que você faz tudo o que quer, como quer. Não se contentem com empresas ruins quando existem tantas oportunidades. Se ninguém quer trabalhar com você, você está fazendo cagada.

O hangout na integra:

foto: divulgação.

O coaching que brotou no LuluzinhaCamp

Patrícia Andrade no LuluzinhaCamp-2013

Pouco antes do último encontro, apareceu entre nós a Patrícia Andrade, coaching e fundadora do ybr. Ela entrou para o grupo e tem compartilhado com nossas mulheres a sua experiência e expertise, ajudando várias de nós a encontrar caminhos, aproveitar melhor a nossa energia profissional.

Num encontro, ela falou da alegria em trabalhar com a gente. E eu pedi que ela escrevesse algo sobre o coaching e o resultado. Claro que quem está no processo com ela também veio aqui contar a experiência. Com vocês, a coaching e as coachees!

Patrícia Andrade:

Após trabalhar mais de 25 anos no mundo corporativo, decidi dedicar essa nova fase da minha vida a ajudar as pessoas a se desenvolverem. Escolhi para isso o coaching como ferramenta de transformação, por seu aspecto extremamente prático e objetivo (o que tem muito a ver comigo).

O coaching executivo, aquele contratado pelas empresas, é muito mais disseminado e tem seu mercado. Mas o coaching para pessoas, que buscam o método para mudar, crescer, atingir um objetivo, ainda é um mercado em desenvolvimento – tanto pela dificuldade do público em perceber o valor desse serviço como pela enxurrada de coaches no mercado (alguns bastante competentes, outros apenas aproveitando a onda).

Nessa minha jornada para estabelecer um novo rumo, tenho procurado grupos para explicar o trabalho e oferecer o serviço, além de motivar pessoas para contratar um programa de coaching em empresas, espaços de coworking, associações, etc.

O LuluzinhaCamp foi um desses grupos aos quais eu apresentei minha proposta. E que surpresa foi ter tido esse imenso retorno! A diferença de adesão é tão grande que me fez pensar: por que esse grupo responde tão bem ao chamado de transformação?

Não é um grupo social com altos rendimentos, tampouco se diferencia essencialmente dos outros por ser composto por pessoas que trabalham com internet ou pela idade (a maioria pertencente à geração Y). E é fato que tenho percebido uma maior adesão de mulheres aos programas. Entendo isso como resultado de um “desempoderamento” sistemático das mulheres, que hoje buscam seu caminho. Mas o LuluzinhaCamp vai além disso. O que será que diferencia esse grupo?

Pensei, pensei e pensei, e só vejo uma explicação: o motivo para tão alta adesão é o mesmo que traz as Luluzinhas para o coletivo: atitude. São mulheres que se posicionam, têm opinião, lutam pelo que querem, se apoiam, têm uma história.

O LuluzinhaCamp é mais do que um grupo de mulheres blogueiras ou que ganham sua vida na internet. É uma filosofia de vida.

Estou muito contente e agradecida pelo grupo ter me acolhido e depositado a confiança no meu trabalho. Temos feito descobertas e evoluções incríveis. Participar da vida e da conquista dessas mulheres provocou em mim um profundo impacto e sentimento de compromisso.

Meu problema começa agora, quando alguns dos programas estão chegando ao fim e não vou mais ver as minhas Luluzinhas todas as semanas. Síndrome de coach? Bem, vou aprender a conviver com isso. Ainda bem que mais Luluzinhas virão. Para encher meu coração de alegria!

 

Juliana Garcia Sales:

O coaching em primeiro lugar traz clareza, que era algo que eu precisava, entrei no processo totalmente confusa, sem rumo.

Como acabei vindo para João Pessoa, o coaching me ajudou a formatar rapidamente um negócio, baseado em meus valores pessoais.

Eu creio que quem tenha a possibilidade deve fazer, pois é uma experiência muito legal, que traz muitas alternativas para a vida.

Lu Terceiro:

“Procurei o coaching num momento em que não sabia muito bem se precisava de um padre, um terapeuta, um curandeiro ou um coach :) Como uma pessoa normal, que acumula diversos tipos de função (ser mãe, profissional, chefe, funcionária, esposa, dona de casa), eu estava num momento crítico, tentando descobrir ferramentas para trabalhar melhor meu lado profissional, e assim, de certa maneira, amenizar minhas crises existenciais.

Como numa espécie de terapia, é importante confiar no seu coach. Ele vai te ouvir, e isso significa ouvir seus medos, seus erros e seus defeitos, porque tudo isso também está presente quando você fala do seu trabalho, da sua vida profissional. Por isso, é difícil achar um coach que você se identifique. Pensando nisso, escolhi a Pat por ela ter essa afinidade com o grupo das Luluzinhas. Se o grupo depositava essa confiança nela, significava que teria grandes chances de encontrar nela uma pessoa que entendesse minha situação.

De fato, a Pat tem um conhecimento sobre as dinâmicas corporativas que me ajudou bastante. Além de me ouvir e me ajudar a identificar caminhos, ela trouxe ferramentas e técnicas que me auxiliaram bastante no dia-a-dia do trabalho. Ainda tenho muito para aprender (10 sessões é pouco!) e eu realmente enxergo na figura do coach uma pessoa que pode te auxiliar a ser alguém melhor, não apenas um profissional mais competente. Na correria que a gente vive, ter um tempo para o coaching é quase um período de meditação, onde você consegue parar, pensar e se planejar para as mudanças necessárias, mas que muitas vezes deixadas de lado.”

Esclareço que a Patrícia está atendendo várias outras que, por motivo de tempo ou correria não mandaram seus depoimentos para o post.

Valente não é violento

Amanhã, dia 10, é dia de blogagem coletiva para encerrar os 16 Dias pelo fim da violência contra as mulheres (que começa, a principio no dia 20 de novembro e que deixamos passar batido neste ano).

Convidei todo mundo no grupo de discussão para participar da roda de debate. Também é Dia Internacional dos Direitos Humanos. E quem convocou a blogagem é ninguém menos que a ONU Mulher, braço da entidade voltado às políticas para as mulheres. Que, sim, tem que falar de fim da violência e de inclusão no mercado de trabalho. E é o século 21, minha gente…

A proposta é que a gente fale sobre “as novas masculinidades”, transformações de estereótipos e do fim da violência contra as mulheres. Quem escrever, linka aqui que a gente faz uma listinha bacana, ok?

Vejo vocês amanhã, nos respectivos blogs.

Update – quem publicou:

Aqui no LuluzinhaCamp: Retratos do Brasil

Denise Rangel: http://drang.com.br/blog/2013/12/10/adultos-violentos-como-educa-los/

Patrícia Andrade: Pelo fim da violência contra as mulheres

Femmaterna: Se apanhar na escola, apanha em casa de novo

Blogueiras Negras: Valente: sobre estereótipos de gênero e violência

Trabalho continua a ser tópico importante aqui

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Tudo começou com um desabafo. Numa mudança de rumos de carreira, uma das nossas mulheres está enfrentando um ambiente de trabalho hostil, em que tudo pode ser usado contra ela. Isso depois de trabalhar com outras pessoas do nosso grupo e crescer muito.

Ah, o universo do trabalho. Aquele que nos tira da cama, nos joga num trânsito violento, nos encaixa em cubículos – e paga os boletos na data escolhida. Passamos a maior parte do tempo útil no trabalho. E, em pleno século 21, com ótimas possibilidades no horizonte, continuamos sujeitas a um esquema criado na Revolução Industrial e aperfeiçoado nos séculos que aconteceram entre então e hoje.

Para completar, a gente lida com todas as variáveis que nos afetam: discriminação salarial, os filhos, a sensação de sermos fraudes (apesar de geniais nos nossos fazeres)… o tópico sempre rende longas conversas no grupo de discussão. E fica aberto aqui para que o público saiba: sim, a gente pensa, fala e imagina como transformar esse cenário.

Daí derivam várias questões que atravessam o nosso convívio – digital e presencial:

  • A capacidade de acolhimento
  • O empreendedorismo que corre nas veias de várias de nós.
  • A questão da qualidade dos ambientes de trabalho
  • Nossas escolhas e atitudes frente à vida

Algumas frases (sem identificação, porque assim ninguém vai saber de quem ou de onde falamos)

O ambiente de trabalho é o mais importante, é o que nos mantém sãos…

Te digo que onde quer que você vá, vai ter sujeira, má vontade, intriga… O esquema só funciona na base do fake ou da rasteira. (sobre o ambiente específico em questão)

“Já falei do lance provinciano que rola por aqui no trabalho e agora enfrento mais um problema, que é bem parecido com o seu: como lidar com gestores que sentem-se ameaçados com o seu trabalho e começam a boicotar suas ideias?

Minha equipe também não me ajuda em nada e faz um tempo que tenho trabalhado só por mim e feito as coisas de maneira diferente para tornar as tarefas mais agradáveis e menos penosas, digamos assim. ”

Se você pode procurar outro lugar, ou mesmo trabalhar sozinha, faça isso.

Pessoas boas e más existem em todos os lugares, e saber lidar com elas (principalmente as más) de maneira inteligente é realmente um exercício diário e sofrido. E isso nos torna muito mais safas e fortes

“quando tive minhas crises [de pânico], tive muita vontade de sumir e parar de trabalhar. mas tenho contas, né? Será que há alguma maneira da gente se proteger disso? de se deixar mais imune? eu não sei. passo tantas horas no trabalho, mais que com meu marido. e penso que ele deveria ser uma continuação da minha casa.”

Algumas declarações importantes lá do tópico específico que falam muito sobre o que vivemos.

Sobre empreender:

Montar um negócio mesmo um café, uma loja física, exige muita conta de mais e menos e muita certeza de até onde você pode ir, se não você só perde dinheiro – ganha experiência, isso é verdade, mas estou numa fase em que perder dinheiro não é opção.

Sobre lideranças:

Uma coisa que eu venho aprendendo na vida é o quanto as lideranças impactam na cadeia do negócio. É muito difícil um ambiente ser amoroso se o líder não o é. É muito difícil um ambiente ser agressivo se o líder não o é. O único jeito de isso acontecer é o seu gestor direto ter muita autonomia (pois é ele que vai conseguir filtrar o que vem da liderança e transformar tudo aquilo em alguma outra coisa).

Às vezes é difícil captar se o gestor tem realmente autonomia ou não, até porque ele normalmente tenta esconder o fato de não ter autonomia, mas de repente espelhar-se diretamente nas lideranças do negócio (seja ele qual for) seja o jeito mais fácil de encontrar um lugar bacana.

Outro aprendizado fortíssimo – e talvez uma das minhas maiores bandeiras – é a cultura do feedback. Mas não é o feedback babaca, aquele que só fica alisando. Feedback bom é aquele que incomoda, que faz a pessoa repensar no que ela fez e em como faria diferente. Somos seres pensantes e esse é o nosso forte. Feedback serve justamente para evoluir algo que não está tão legal. E se o seu gestor não é adepto de feedback? Maridão, certo dia, me deu a dica da vida: o melhor jeito de pedir um feedback é dando um. Comece o movimento (nesse caso, de dirigir-se a um superior, com muita educação) e de repente o movimento volta pra você.

Sobre o futuro:

Eu acho que a gente devia criar cooperativas ou espaços de coworking para mulheres lindas e inteligentes, mas falta um inve$tidor para dar um kickstart nessa idéia. Parar com essa me*** toda e criar uma espiral positiva, um novo modelo de negócio que rendesse filhotinhos e se espalhasse pelo país todo atraindo mais pessoas talentosas e do bem.

Como? Essa é a questão central em nossas mesas. Não há uma receita pronta para o bolo. Teremos que testar, inventar – e fazer. Podemos ir juntas. Podemos ir em mini-luluzinhacamp (o que já tem acontecido, de um jeito ou de outro). Existem mil jeitos de estar no mundo. E nós, no grupo, estamos aprendendo a construir isso. Em breve, as mudanças chegam aqui. :)

foto: Pink Sherbet Photography via Compfight cc

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