Poliamor

Um documentário sensacional, com direito a depoimento de Luluzinha sumida – no momento em maternagem furiosa – do José Agripino, falando de… Poliamor. A gente já falou disso aqui, nos posts sobre sexualidade. (siga o link para ler).

O vídeo foi compartilhado no nosso grupo de discussão e merece cada minuto da sua atenção.

É só respeito, gente

Rodrigo Basaure, CC
foto: Rodrigo Basaure, CC
Assim como o post anterior, este artigo foi escrito pela Natane, também a pedidos, exclusivamente para o LuluzinhaCamp.

Coragem. Eu não sei direito o motivo, mas sempre que ouço alguém falando coragem, vejo uma espada nas mãos e alguém correndo por um campo rumo à morte. Nunca consegui associar direito coragem a atos cotidianos, a dizer em público minha verdade, a espalhar por aí o que, para mim, é óbvio.

Mas já ouvi muita gente me apontando como alguém “corajoso”. Sou corajosa porque contei em um vídeo que tenho relacionamentos com mulheres? Sou corajosa porque converso sobre isso com a minha mãe, com a minha chefe, com colega que acabei de conhecer?

Sou corajosa porque mergulhei em um mundo totalmente diferente do qual me apresentaram? Ou sou corajosa porque deixei esse mundo um pouco de lado para voltar ao primeiro?

Isso não é coragem. Isso é respeito. Respeito por mim. Respeito pelo que eu amo, pelo que me dá tesão. Respeito pelos meus desejos, pela minha vontade de estar onde eu quero estar. De olhar no espelho e ver o que eu quero ver.

E, pra mim, dizer que eu sou bissexual hoje é isso. E só uma forma que eu encontrei de me respeitar. E, me respeitando, dizer, mesmo sem palavras, que eu não tenho fronteiras. Que eu não quero ter fronteiras. Que eu não preciso delas.

Não é que eu não queira fazer parte de nada. Eu quero é fazer parte de tudo. Eu não quero definir para não criar paredes. Eu não quero escolher porque mudo o tempo inteiro, todos os dias. E acho que tudo bem mudar.

E acho que tudo bem todo mundo mudar. E tudo bem também em ficar onde você está, se é ali que você quer estar.

Claro que nem sempre é isso que acontece, mas gosto de acreditar que o mundo perde qualquer discussão comigo simplesmente porque eu não preciso discutir. Porque universos gay, hétero, homens, mulheres moram numa mesma casinha por aqui. Daquelas sem paredes.

Isso não é coragem. Eu poderia terminar aqui e dizer que é amor. Mas não sei. É porque é. E tudo bem que seja assim.

Sou paulista, 26 anos, jornalista, social media e escritora. Publico meus textos no Vício da Petulância. Os outros contatos estão no about.me

“Bi”cho Estranho

ela, lucia freitas, cc
Este artigo foi escrito pela Beth, cariocat de 40 anos, Luluzinha desde 2009, editora do www.avidasecreta.com e co-fundadora do www.blogseroticos.com.br
. Foi escrito, a pedidos, depois de uma discussão em nosso grupo, exclusivamente para o LuluzinhaCamp.

Posso assegurar ninguém escolhe ser homo ou hetero e, muito menos, bissexual. E digo muito menos, pois sinto, de verdade, que o bi é um bicho estranho aos dois mundos. Objeto de curiosidade ou mal interpretado tanto lá quanto cá, seja onde for.

O primeiro contato imediato de terceiro grau que tive com sexo foi aos 6 anos com uma menina. E com a mesma naturalidade que, por curiosidade, nos tocamos, na mesma época eu também dei umas bitocas em um coleguinha de escola. Crianças são assim, experimentam sem medo. Adulto é que complica tudo.

Orientada dentro dos padrões heteronormativos cresci me envolvendo com rapazes. Era assim, não questionava. No entanto, à medida que amadurecia sexualmente fui mais flexível, ao longo da minha vida fui ousando experimentações tanto de práticas (adoro uma novidade) quanto de gêneros.

Do ménage-à-trois FMF (quando duas mulheres interagem com ele, mas não entre si) a uma relação sexual lésbica demorou um pouco, talvez porque tivesse um tempo certo, não sei… Somente depois dos 30 anos aconteceu, incentivada por um namorado que tinha o típico fetiche de ver duas mulheres se pegando. No entanto, fiz questão que esse primeiro contato fosse somente com uma menina, não seria algo nosso, seria algo meu. E foi.

Ainda foi só sexo, mas algo havia mudado, eu havia gostado! É lógico que depois tive meus momentos de neura, tipo: “Putz, como foi bom sentir o corpo dela, prová-la… Sou lésbica? Cara… Como posso ser exclusivamente lésbica se também gosto de fazer sexo com homens?”

Sem conseguir respostas segui vivendo, sem muitas encucações. Namorando homens e eventualmente saindo com mulheres, quase sempre em contextos a três, até que um dia conheci aquela por quem me apaixonei. E sabe aquela coisa de que sexo com amor é sempre melhor? Com mulheres não é diferente. Nada mesmo. É ótimo estar com quem se gosta.

Só doía a repressão social. Salvo os guetos, redutos gays, manifestações explícitas de carinho podem ser tomadas como atentado ao pudor. E a gente acaba se policiando, com despedidas discretas, como se estivéssemos fazendo algo ilícito, quando não é. Como se a única forma de amor possível fosse heterossexual. Era bem sofrido. A relação acabou porque tinha que acabar, mas ficaram boas lembranças.

Não posso dizer que, além do fator social, amar homens e mulheres facilita ou atrapalha. Relacionamentos são complicados, independente do gênero. Talvez mulheres sejam mais complicadas, não sei. No entanto, aceitam melhor a bissexualidade que eles, principalmente se forem bi também. Afinal, para um homem, entre duas mulheres sempre faltará ele. Alguns morrem de ciúmes, outros querem participar, mas… Dificilmente encaram realmente numa boa, principalmente quando há uma relação afetiva e não só sexual.

Um comentário… Desde que me envolvi homoafetivamente, curiosamente nunca mais fiz sexo à três… Me sinto completa em uma cama, tanto com eles, quanto com elas, colocar mais gente só complicaria.

No entanto o pior, o que jamais pensei, e digo isso do fundo do coração, é que pelo fato de ser bissexual fosse sofrer tanto preconceito e me sentir tão sem lugar. Tanto por parte de homossexuais, que tratam como se o bi fosse um homo enrustido, alguém que não aderiu ou traiu a causa, quanto dos heteros que pensam igual ou pior e ainda vêem o bissexual como um promíscuo. Quando nem sempre é assim.

Amo homens e mulheres. Não escolhi ser assim, do desejo ninguém foge, seria mais fácil não ser. No entanto, cada vez mais eu percebo que certas coisas a gente não escolhe, quem amar principalmente. Isso simplesmente é. E sendo, não tem muita escolha… A gente vive e pronto!

Rita Miller é meu nome

Oda Mae Brown como Rita Miller

Oda Mae... Não, não, meu nome é Rita Miller! Rita Miller, Rita Miller é meu nome!

Como começar?

É bem mais fácil escrever na lista de email, que tem assunto novo todo dia. E pra minha mente pegar fogo, lá tem faísca à beça. Mas como recusar um convite da Luluzona Freitas pra me expressar nesse espaço que valorizo tanto?

Sou uma pessoa muito grata por poder fazer parte dessa rede, dessa grande união de forças que é o Luluzinha Camp.

Minha ideia é poder trazer a vocês histórias de mulheres que mudaram muito ou mudaram pouco, mas que fizeram diferença nesse mundo. E, também, dar uma pequena e possível contribuição para que você faça a diferença (continue conosco nos próximos posts, oká?). Então, acho que devo mesmo começar falando sobre as mulheres que fazem a diferença na minha vida todos os dias. Afinal, é isso que o Luluzinha Camp is all about.

Posso dizer com toda a segurança que hoje sou uma pessoa diferente por causa do Luluzinha Camp. Quando quis chorar, chorei no ombro desse grupo. Quando quis entender, perguntei a esse grupo. E quando quis me aceitar, elas estavam lá, me aceitando.

Quem me conhece, sabe que gosto de imitar vozes (não só a do Silvio Santos, tá? :P). Uma das minhas imitações preferidas, ainda que precise de arroz com feijão pra ficar mais fortinha, é a de Oda Mae Brown, a vidente charlatã encarnada – cof, cof – por Whoopi Goldberg no filme Ghost (na verdade, tento imitar sua dubladora Selma Lopes). Oda vê uma forma de redimir-se dos anos de enganações ajudando Sam (Patrick Swayze), já morto, a roubar quem lhe roubou e causou sua morte. Para isso, Oda se transforma em Rita Miller, titular de uma conta fantasma (tudumpshh), usada para desviar dinheiro. Logo depois de dar esse arriscado golpe “do bem”, Oda faz planos para o dinheiro sacado: “vou colocar minha irmã num SPA, ela está muito gorda!”, mas, relutante, doa o dinheiro à caridade, e depois percebe que a sua caridade é para com Sam.

Oda é uma mulher divertida, em busca de redenção, triste, cara-de-pau, fútil e generosa, e é Rita, tudo ao mesmo tempo. E que mulher não pode ser tudo ao mesmo tempo? Isso é algo que aprendi no Luluzinha Camp. Dá pra ser o que eu quiser, sem abrir mão de ser várias, e, principalmente, de ser quem sou. Também dá pra gritar “não quero ser nada disso”!

E vejo tanto disso em todas vocês. Esse grupo me ensinou a ver a realidade sem lentes cor-de-rosa, a tirar as situações de seus estereótipos, e, mesmo assim, achar que esse mundo tem jeito. Posso dizer que agora vejo um espectro, e nele cabe o berrante magenta do conjuntinho de Rita Miller.

Pra mim, o mais legal do Luluzinha Camp é ver que, num grupo só de mulheres, há tanta pluralidade. Um tapa, com as costas da mão, em quem acha que mulher é tudo igual. :)

Confissões de uma mãe de verdade

O depoimento de verdade da Rose, uma das lindas respostas que tivemos à discussão sobre o novo livro da MM.

Meu nome é Rose, moro no interior de São Paulo. Eu estou sempre na janelinha, pois estou terminando uma série de projetos e tem faltado tempo. Embora atrasada, gostaria de falar a respeito das opiniões da MM e minha experiência. Quando li a reportagem, jurei que ia ignorar, mas é gritante demais pra mim…

Tenho 3 filhas, hoje com 10, 9 e 8 anos.

as filhotas da Rose

as filhotas da Rose

Quando engravidei pela primeira vez, depois de 11 anos de tentativas, tratamentos e abortos, me preparei para o parto. Queria fazer parto na água, tudo ok, tudo bonito, só que a partir do quinto mês comecei a inchar e inchar… Pré eclampsia…quando o bebê estava com 40 semanas, numa consulta de rotina, minha pressão subiu muito… 20 e tantos por sei lá quanto. Só ouvi o médico “sensível” dizer: “cesárea agora senão morre a mãe e a criança”… Eu não captei direito a mensagem, estava pra lá de lá, via tudo escuro, meu marido voou comigo do consultório em frente ao Shopping Iguatemi, em São Paulo, para o São Luiz com a polícia abrindo caminho, pois pra chegar uma ambulância ali, demoraria… Só sei que foi o tempo de anestesiar, cortar e tirar o bebê… Q alivio para todos…

Apgar 9-9-10..

Quando Vitória estava com 7 meses eu planejei engravidar no ano seguinte e surpresa: estava grávida! Desmamei Vitória, fiz pré Natal e marquei cesárea… sim… afinal, quando nascesse o segundo bebê, a cesárea anterior tinha 13 meses e EU não me arriscaria fazer parto normal (pra “ser mãe”) nem que a vaca tossisse achocolatado!!! Então cesárea marcada pra 07/01/2000 e no dia 30/12 às 00:15 rompeu minha bolsa e comecei ter contrações… foi um perereco, tinha acabado de me mudar, a mala da maternidade não estava pronta, meu telefone com defeito, e dá-lhe dor… Morava na perto da Vereador José Diniz, fui levada ao São Luis pelo marido, com o outro bebê no chiqueirinho e todas as parafernálias… e dá-lhe dor… localizaram o médico e fizemos a cesárea.

Apagar 9-10-10…

E, tomando pílula, amamentando, a Bárbara tinha 4 meses e eu estava de novo grávida!!! Ai meu Jesuizinho… Aborto nem pensar… E o medo de morrer???

Passado o susto, curtimos a barriga e cesárea de novo… Desta vez com data e hora marcada: 40 semanas e pronto…

Apgar 10-10-10..

Graças a Deus tive as três, e estamos aqui vivinhas da silva!!!

Sobre depressão Pós Parto:

Na primeira filha, minha vida estava em ordem: tive uma depressão leve, durou pouco, foi mais a queda hormonal. Na segunda filha: o casamento estava quase “no lixo” e a depressão veio brava. Tomei antidepressivos naturais e todos sobrevivemos…Na terceira filha, tive depressão leve, mas sobrevivi.

Minha opinião: depressão pós-parto, todo mundo tem. Leve ou moderada. É um misto de queda hormonal, dores, bebê que chora, etc.

Sobre amamentar: a mais velha mamou até 7 meses, a do meio se recusou mamar após os 4 e a outra eu desmamei aos quatro meses porque minha outra filha teve um problema de saúde e a pequena ficava com a empregada para eu poder correr com as outras para os médicos.

Se eu não mereci amamentar ou não… Amamentei por prazer e enquanto deu… Quando virou obrigação, desmamei… Nem por isso as meninas são traumatizadas…

O saldo disso tudo é: uma mãe feliz (eu) e três meninas saudáveis, normais, equilibradas e ligadas na família…

Então, a tal MM deveria se calar, ter embasamento científico e também se basear em pesquisas antes de “abrir o bocão”… porque se este livro caísse nas minhas mãos há dez anos eu me questionaria…

Sobre trabalhar fora ou cuidar do filho: eu já estava cansada de uma profissão que não escolhi, queria repensar minha vida e o salário não compensava. Saí do trabalho, fiquei em casa “lambendo a cria” , só que com o auxilio de uma empregada e uma babá de dia, outra de noite, porque fui pra PUC estudar.

Muitos anos depois, as meninas cresceram, abri uma empresa e fui trabalhar por conta. Tá certo que às vezes eu quero botar fogo no escritório por conta do excesso de trabalho e outras coisinhas, mas vamos levando…

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