Olá! Sou a @babby e eu sou de Nova Friburgo.

Voltei para Friburgo nesta terça feira, dia 11, no que me pareceu um chamado divino. Precisava estar com a família.

Na mesma noite foi difícil de dormir com tanta chuva e trovões.
No dia seguinte, sem luz, sem telefone ou celular funcionando, ouvi dizer que a cidade estava acabada e dei graças a Deus por estar ao lado da minha família nesse momento.
Não perdemos nada nem ninguém, mas infelizmente isso não vale para todos os friburguenses… nem mesmo para todos os meus amigos e para aqueles que amo.
A cada dia descubro mais amigos e parentes/conhecidos de amigos que perderam tudo.
Encontro ou re-encontro pessoas que perderam familiares, que perderam tudo. E que modo mais injusto de reencontrar pessoas e recuperar contatos, viu!
Diz a TV Zoom, a tv local, que os 246 mortos que a TV confirmou até o final desta tarde são apenas os corpos identificados, mas que já se tem um total de mais de 500 corpos encontrados na cidade.

Imagine a dor no coração!!
Em uma cidade tão pequena e provinciana, onde avisamos aos nossos pais “vou sair com o filho de fulana!”, é impossível não conhecermos ou não sermos amigos de uma boa parte dessas pessoas. =(

Quando levantei na quarta feira, minha mãe me disse para não sair de casa, pois ela ia ver se nosso escritório estava intacto. Foi como dizer o contrário. Na mesma hora levantei, peguei só o básico e  corri para o Centro da cidade.

O meu bairro, Olaria, que foi o que mais sofreu nas enchentes de 1996, teve algumas lojas com no máximo 30cm de água e muita lama, troncos e galhos nas ruas, mas aparentemente escapou ileso. Foi o menos afetado pelas chuvas e, aparentemente será o primeiro a se reerguer.

Vários bairros aos quais não tive acesso foram completamente destruídos. Bairros pobres, bairros ricos, e até o Centro da cidade!

Chegando ao Centro o choque era geral.
As pessoas pareciam Zumbis andando pela Rua.
Aqueles que não eram zumbis, atônitos sem poder compreender o ocorrido, se debulhavam em lágrimas e todo momento assitido ou vivido aqui é de partir o coração.

Não sei contabilizar as perdas. Nenhum tipo de perda.

Foram vários prédios caindo, casas carregadas por dezlizamentos, outras inundadas em água, carros (e pessoas!) levados pela correnteza, gente soterrada, desabrigada e, o pior, gente sem saber como estavam seus familiares, amigos, queridos.

Ficamos sem comunicação interna e externa. Somente os rádios funcionavam e, as vezes, nem isso! O desespero era geral e era difícil até mesmo conseguir avisar a alguém que estávamos vivos!

Ao longo desses últimos dias eu vi os momentos mais tristes da minha vida.
Pessoas que batalharam toda uma vida para ter sua casa ou montar um negócio perderam tudo.
Supermercados e farmácias jogavam fora produtos inutilizados e pessoas BRIGAVAM por comida e itens de higiene que traziam todo tipo de doenças.
Lojas de animais tiveram perdas não apenas de rações, mas também de pintinhos, porquinhos da índia, rãmsters, coelhos, etc.
Pessoas que saíram de casa no meio da noite, para fugir do perigo, andavam em meio à lama descalços e em roupas íntimas, enrolados com qualquer pedaço de pano que achassem. E uma me disse que não conseguiu se vestir porque era isso ou salvar seu cachorro.
Um dono de canil teve que ser arrastado de sua propriedade porque não queria deixar os cães e os coitados foram soterrados.
Colégios e escolas de samba viraram necrotérios.
Pessoas espalhavam boatos malsosos, falsos, de represas cedendo e de várias situações absurdas causando o caos e o desespero. Fazendo com que guardas de trânsito fossem atropelados tentando acalmar e organizar o trânsito de saida da cidade.

Amigos desapareceram. Amigos morreram. Amigos perderam tudo.

Aqui em casa a sensação é de horror, mas também de gratidão porque pelo menos estamos vivos, com um teto para nos proteger enquanto choramos as dores de tudo o que está acontecendo.

Uma parte (grande parte) de nós, Friburguenses(de nossas almas friburguenses), morreu em meio a tudo isso.

Eu estava tão atarefada tentando ajudar as pessoas, mesmo quando estava em casa, via twitter, blog, email… que o choro se resumia a momentos instáveis, mas eu logo engolia e tentava fazer mais alguma coisa para ajudar. E acho que a maioria de nós está assim, doido para chorar, mas precisamos ser fortes e fazer algo!

Agora que parei pra escrever a respeito, as lágrimas desceram e parece que não consigo pará-las.

Só peço agora que ajudem àqueles que ainda estão vivos.

Dei algumas maneiras de ajudar aqui: http://myelectricbarbarella.wordpress.com/ e no twitter.

Por favor, fiquem de olho no que veiculam nas TVs e na internet, pois vai aparecer um milhão de maneiras de ajudar e, com certeza, você vai poder colaborar de algum modo!

Desde já agradeço e continuo pedindo por nossa recuperação, não apenas aqui em Nova friburgo, mas em toda a região afetada e também em São Paulo e Minas!

Um beijo triste, mas cheio de amor e vontade de superação, nos corações de cada um.

@babby.

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