Bianca sempre tem um sorriso no rosto. Nos conhecemos há anos e anos atrás, em uma sala de sapateado. Lembro como se fosse hoje de uma cena durante uma aula de interpretação: Bianca, olhando para o chão, dialogava com um esparadrapo como se fosse seu melhor amigo. Parecia realmente uma conversa com um conhecido antigo, com a empolgação típica de quem nasceu em Recife. “Essa menina é boa”, pensei. E eu estava certa. Pernambucana, morou em São Paulo por muitos anos, onde virou sapateadora e professora de dança. Acabou voltando pro Recife ao casar, mesmo sabendo que o sapateado por lá não recebia muito incentivo. Foi guerreira. E botou na cabeça que sua missão era mostrar que o sapateado é acessível a todos. Desde que se mudou, dá aula em comunidades carentes levando a linguagem do sapateado americano aos mestres do frevo. Em alguns projetos conseguiu o incentivo de lei, em outros insistiu mesmo sem qualquer verba disponível. Ela sempre soube que ver o pessoal feliz com o sapateado e ganhar o carinho dos alunos seria muito mais rico do que o próprio dinheiro.

Fiz esse vídeo na minha última visita a Recife. A aula é dada no meio da rua. Os sapatos de sapateado estão gastos e com as chapinhas quebradas, mas a empolgação dos dançarinos compensa qualquer coisa. Emocionante que só. E pronto.