Esses dias achei o documentário Annie Leibovitz – A Vida Através das Lentes. O subtítulo é como Annie define a vida de fotógrafa. Uma vida em que se fotografa da mesma maneira que outras pessoas comem e respiram. Um filme rápido (80 minutos) e bacana de se ver, pois entra na intimidade do trabalho e da família, é dirigido por Barbara Leibovitz, irmã de Annie. Fora que é muito interessante ver como foi a vida de uma pessoa tão criativa, como se desenvolveu até ser a grande fotógrafa que é hoje. O filme conta as histórias de muitas fotos famosas, além dse sua história de vida.

Annie nasceu numa grande família. Pai, mãe e 5 irmãos, ela é a terceira. Sua mãe sempre foi a grande documentarista da família, amava câmeras. Durante a Guerra do Vietnã, o pai militar foi morar nas Filipinas e carregou a família. Lá, como não tinha muito o que fazer, Annie se interessou por fotografia. Retornou aos Estados Unidos em 1967, para estudar no Instituto de Artes de São Francisco. A partir daí começou a trabalhar e viver intensamente os anos em que vários paradigmas foram quebrados. Tornou-se a principal fotógrafa da Rolling Stone e talvez seu ápice tenha sido a famosa foto de John e Yoko, feita poucas horas antes dele ser assassinado.

Capa da Revista Rolling Stone dez/1980. Foto de Annie Leibovitz.

Na revista Vanity Fair desenvolveu o estilo que a consagrou. Uma de suas capas mais famosas é da atriz Demi Moore grávida e nua. Essa imagem causou grande debate sobre o papel da mulher, seu corpo e a maternidade. Casou com a escritora e intelectual Susan Sontag, que lhe abriu novos caminhos, levando-a para documentar a Guerra da Bósnia em Sarajevo. Aos 50 anos decidiu ter filhos. Seus ídolos são Robert Frank, Cartier-Bresson, Barbara Morgan e Richard Avedon. Beatriz Feitler, designer e diretora de arte brasileira, foi uma grande influência em sua carreira, incentivando-a no desenvolvimento da técnica e no desejo de transcender, de criar um significado marcante para cada fotografia. Annie começou fotografando ídolos do rock em momentos íntimos, atualmente faz belíssimos editoriais de moda para a Revista Vogue.

Capa da Revista Vanity Fair ago/1991. Foto de Annie Leibovitz.

É bacana ver Annie fotografando, pesquisando, criando. Ela desenvolveu um estilo em que a pessoa tem que ser parte do que está acontecendo. Suas fotografias são narrativas. A criatividade é um processo de trabalho, não surge repentinamente, é resultado de pesquisa e aprimoramento do olhar. Quando Annie está focada nos pés de um bailarino ou no cabelo de uma celebridade, ela procura algo que seduza as pessoas, mas também algo que capte aquela mínima fração do tempo, um momento que nunca mais retornará. Em determinado momento, Annie diz: “A lente lhe dá direito de sair pelo mundo sozinha, mas com um propósito.”

Esse post convida você a exercitar sua veia fotográfica por aí e deixo como inspiração os portfolios de três talentosas fotógrafas Luluzinhas:

[+] Claudia Regina

[+] Gabi Butcher

[+] Natalie Gunji